30 March 2008

Três dias bem passados




Parti de Brno na quinta-feira, pelas 21 horas. Fui com o Jarek, Filip e Jana. Ao chegar a Praga, mais três viajantes se juntaram ao novo grupo (irmã da Jana, Marketa, e o seu namorado, Libor, mais uma amiga deles, Lucie). A chegada a Berlim estava prevista para as 5 horas, por isso esperava-nos uma noite bem longa, pelo menos a mim, que não consigo adormecer em transportes públicos. Esta situação agrava-se ainda mais se não tiver as condições para me deitar ao comprido. Assim foi o que me aconteceu e a todos os restantes companheiros de aventura.
Quando chegamos à Alemanha, dirigimo-nos ao "hostel" (de nome wombat, muito recente, a um bom preço – 10 euros por noite; possibilidade de tomar o pequeno-almoço –bem rico (na verdade, tirávamos a barriga de misérias a essa hora do dia) - por 3.50 euros, com acesso à Internet e bem perto do centro – perto de Alexanderplatz), mesmo sabendo que só podíamos fazer o check-in depois das 14 horas. De qualquer modo, tentámos a nossa sorte, mas infelizmente os nossos quartos ainda estavam ocupados. Pelo menos deixámos as nossas mochilas, o que foi bem mais confortável. Então, fomos explorar a cidade, fazendo primeiro uma paragem num café para saciar a fome de madrugadores. Embora tivéssemos levado guarnições de boca, quisemos sorver o café berlinense, até porque estava bem frio (3- mínimo - 12 máximo - graus). Luvas, cachecóis e gorros foram as nossas imagens de marca durante toda a nossa estadia.
Mais reconfortados, partimos rumo à descoberta. Andámos durante uns 15 minutos e foi o suficiente para nos confrontarmos com a beleza da cidade alemã, sobretudo com o hibridismo da sua arquitectura. Uma simbiose alquimista, mas integradora e adaptativa. Vários e bastante diversificados são os monumentos e edifícios que povoam a cidade. Edifícios esses que aparentam relembrar a Alemanha antes das guerras, ou seja, edifícios que ostentam estilos antigos, mas que, na verdade, foram construídos mais tarde devido a essas contingências histórico-sociais. As suas igrejas avermelhadas de estilo gótico contrastam com a arquitectura de arte nova e contemporânea, zigue-zagueadas por ruas larguíssimas e limpíssimas, animadas com inúmeros ciclistas (nunca vi tanta bicicleta na minha vida numa só rua! A cidade oferece condições para que os seus habitantes se desloquem deste modo. É também interessante verificar que aqueles que optam por este tipo de transporte possuem bicicletas de passeio, o que possibilita o uso de tacões e saia.). Andando, andando, avistámos e parámos para contemplar alguns dos muito monumentos imponentes que ostentam de forma bem explícita o poder nazi. Pudemos tocar os restos do muro de Berlim, sentindo um arrepiar na espinha. Tais sentimentos de consternação continuaram com a passagem pelo monumento dedicado aos judeus da Europa assassinados (holocausto). Decidimos, então, para que não ficássemos tão deprimidos dar uma escapadela ao exilibris da cidade: o Reichstag (de onde se tem uma vista panorâmica espectacular sobre toda a capital alemã). Seguimos rumo ao Potsdamer Platz; Tiergarten (o maior espaço verde da cidade); O Hall da Filarmónica; Schoneberg (câmara municipal); A Nova Sinagoga; A estação Friedrichstrasse; várias catedrais; a torre dos sinos (com uns dos quartos maiores carrilhões em todo o mundo); topografia do Terror (sobre todas as atrocidades cometidas durante o nazismo, situado mesmo junto ao muro); o museu sobre Judaísmo (constituído por três edifícios enormes ligados subterraneamente, onde se encontra quase todo sobre esta religião, cultura e modos de ser e estar na vida. encontramos aí preciosidades como objectos pessoais de vários judeus famosos, a saber as primeiras calças desenhadas por Levis-Strauss; relógios; vestuário; móveis; utensílios domésticos, etc. Existe também uma secção dedicada à aprendizagem lúdica e interactiva); o arco Brandenburg; a embaixada dos países nórdicos; o velódromo; uma igreja (cujo nome não me lembro…) bem interessante, toda decorada com vitrais azuis que ganham um efeito multicolor quando está sol. Enfim, com certeza que ficou algo por ver, mas posso dizer que o essencial foi visto. Quando digo "o essencial" não me posso esquecer de aí incluir a cerveja alemã (que pode ser vendida ao metro…no Marcus Brau); as salsichas; os pratos típicos (sobretudo carne de porco)… Embora a gastronomia não seja assim tão diferente da checa, os doces alemães são bem melhores; é que são bem mais doces – eu, uma gulosa compulsiva.
Depreende-se, portanto, que foram, sem sombra de dúvida, dias bem passados, com muito sono, mas com muita vontade de saber mais sobre este centro europeu. Fica a certeza de que Berlim tem que ser um ponto de eleição para qualquer viajante. Apesar do individualismo dos seus habitantes, é uma cidade hospitaleira, luminosa, interessante…enfim…um local a revisitar. Foi com esta nostalgia que partimos no passado domingo (cujo adeus foi dito quando sentados num autocarro de dois andares, isto porque as pernas já fraquejavam) pelas 23:55. Escusado será dizer que não preguei olho durante a viagem, que durou 7 horas e meia. Aliás, só pude dormir às 18 horas desse dia…Mas valeu a pena! É óbvio que há pormenores que ficam por contar, pois é impossível pôr em palavras todas as vivências, sensações, olhares e recordações. Restam-me estas…

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