Parti de Brno na quinta-feira, pelas 21 horas. Fui com o Jarek, Filip e Jana. Ao chegar a Praga, mais três viajantes se juntaram ao novo grupo (irmã da Jana, Marketa, e o seu namorado, Libor, mais uma amiga deles, Lucie). A chegada a Berlim estava prevista para as 5 horas, por isso esperava-nos uma noite bem longa, pelo menos a mim, que não consigo adormecer em transportes públicos. Esta situação agrava-se ainda mais se não tiver as condições para me deitar ao comprido. Assim foi o que me aconteceu e a todos os restantes companheiros de aventura.
Quando chegamos à Alemanha, dirigimo-nos ao "hostel" (de nome wombat, muito recente, a um bom preço – 10 euros por noite; possibilidade de tomar o pequeno-almoço –bem rico (na verdade, tirávamos a barriga de misérias a essa hora do dia) - por 3.50 euros, com acesso à Internet e bem perto do centro – perto de Alexanderplatz), mesmo sabendo que só podíamos fazer o check-in depois das 14 horas. De qualquer modo, tentámos a nossa sorte, mas infelizmente os nossos quartos ainda estavam ocupados. Pelo menos deixámos as nossas mochilas, o que foi bem mais confortável. Então, fomos explorar a cidade, fazendo primeiro uma paragem num café para saciar a fome de madrugadores. Embora tivéssemos levado guarnições de boca, quisemos sorver o café berlinense, até porque estava bem frio (3- mínimo - 12 máximo - graus). Luvas, cachecóis e gorros foram as nossas imagens de marca durante toda a nossa estadia.

Mais reconfortados, partimos rumo à descoberta. Andámos durante uns 15 minutos e foi o suficiente para nos confrontarmos com a beleza da cidade alemã, sobretudo com o hibridismo da sua arquitectura. Uma simbiose alquimista, mas integradora e adaptativa. Vários e bastante diversificados são os monumentos e edifícios que povoam a cidade. Edifícios esses que aparentam relembrar a Alemanha antes das guerras, ou seja, edifícios que ostentam estilos antigos, mas que, na verdade, foram construídos mais tarde devido a essas contingências histórico-sociais. As suas igrejas avermelhadas de estilo gótico contrastam com a arquitectura de arte nova e contemporânea, zigue-zagueadas por ruas larguíssimas e limpíssimas, animadas com inúmeros ciclistas (nunca vi tanta bicicleta na minha vida numa só rua! A cidade oferece condições para que os seus habitantes se desloquem deste modo. É também interessante verificar que aqueles que optam por este tipo de transporte possuem bicicletas de passeio, o que possibilita o uso de tacões e saia.). Andando, andando, avistámos e parámos para contemplar alguns dos muito monumentos imponentes que ostentam de forma bem explícita o poder nazi. Pudemos tocar os restos do muro de Berlim, sentindo um arrepiar na espinha. Tais sentimentos de consternação continuaram com a passagem pelo monumento dedicado aos judeus da Europa assassinados (holocausto).
Depreende-se, portanto, que foram, sem sombra de dúvida, dias bem passados, com muito sono, mas com muita vontade de saber mais sobre este centro europeu. Fica a certeza de que Berlim tem que ser um ponto de eleição para qualquer viajante. Apesar do individualismo dos seus habitantes, é uma cidade hospitaleira, luminosa, interessante…enfim…um local a revisitar. Foi com esta nostalgia que partimos no passado domingo (cujo adeus foi dito quando sentados num autocarro de dois andares, isto porque as pernas já fraquejavam) pelas 23:55. Escusado será dizer que não preguei olho durante a viagem, que durou 7 horas e meia. Aliás, só pude dormir às 18 horas desse dia…Mas valeu a pena! É óbvio que há pormenores que ficam por contar, pois é impossível pôr em palavras todas as vivências, sensações, olhares e recordações. Restam-me estas…


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