Às vezes dou comigo a pensar que não há nada mais assustador do que antever o futuro. Vem esta tristeza, esta amargura, esta angústia que nem sei bem como explicar. Vulnerabilidade? Incerteza? Inconstância?
Talvez tudo isso no seu conjunto nada seja. Afinal conjecturamos projectos, idealizamos sonhos e lutamos para os realizar. É a quimera que nos atrai. Sempre foi. Mas será ela o âmago da nossa existência?
A vida oferece-nos muitas possibilidades. Tal como num labirinto, o prazer está em percorrer todos os seus ziguezagues. Porém, são poucas as saídas. Será que as queremos encontrar? Será que queremos vivenciar a ilusão de Dédalo?
O mar é também ele uma outra entrada para as infinitudes do (auto-)conhecimento. Partiremos? Sim, quando ansiamos encontrar. Não, quando não queremos procurar.
Entretanto, fico no silêncio a brilhar com as estrelas no olhar.
P.S.: "Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam." - O Livro dos Itinerários


2 comments:
De acordo. O mais angustiante ainda é antever um futuro negro e saber que por muito que faças ele irá estar à nossa espera. sempre.
Hms...curioso o que dizes, tendo em conta que hoje li um artigo sobre Filosofia ( a minha eterna paixão) acerca do pensamentos que temos sobre o «futuro». Segundo a teoria de Hans Blumenberg, nas palavras de José Gomes Pinto, "se não se soubesse já, agora, aquilo que podermos saber dentro de dez anos, certamente que, também, dentro de dez anos não conseguiríamos reconhecer esse saber e, portanto, tão pouco poderíamos estar na sua posse". Isto para dizer que o pensamento não tem passado nem futuro ou, se quisermos, o pensamento de hoje é o «pensamento» de ontem e o de amanhã. Ah, e só se espera aquilo que já se sabe que vem...Afinal, ainda há por aí muita pergunta retórica a atormentar muita gente...eu fico a pensar...
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