Já há uns anos que tenho reparado que, em qualquer tipo de representação, não há o cuidado por parte dos realizadores em limarem pormenores em relação às retrospectivas que fazem, ou seja, sempre que vemos imagens correspondentes às memórias de uma personagem, mostram-nas tal como nós, espectadores, as vimos e não como o protagonista as viveu, como seria de esperar. Acaso serei a única a não conseguir ver-me quando relembro uma vivência da qual fiz parte?
Um Inventário Florestal em conserva
6 years ago


2 comments:
Tem calma babe, o Shinji Ikari na manga de Evangelion pelo Yoshiyuki Sadamoto revela, acho que no primeiro volume, que, em momentos como aquele em que ele é agredido pelo Toji Suzuhara ou mesmo quando o pai o abandona, ele os assiste como se de uma terceira pessoa se tratasse.
No entanto, sim, é uma grande falha. Uma retrospectiva deve ser na primeira pessoa, tal como é vivida. No entanto a realização pretende sempre que as pessoas se apercebam da reacção, das expressões do personagem. Os realizadores adoram planos a 5cm da cara do actor... (Tal facto até é gozado pelo pai do Calvin em Calvin & Hobbes, não me lembro de qual a tira, mas depois procuro.)
E não és a única a não conseguir ver-te. Na realidade tal é difícil. Eu, pessoalmente consigo ver-me, mas nem sempre. No entanto, o facto de me ver acontece porque eu me recordo das minhas reacções, o que permite que consiga sair de mim e observar o cenário.
Mais te digo, quando estou a estudar, a antever um momento, ao imaginar todos os cenários possíveis para o que vou fazer, idealizo sempre na terceira pessoa, conseguindo ver tudo como se de um filme se tratasse, com planos diferentes, quer sobre mim, as outras pessoas, o cenário, consigo até adicionar cenários dinâmicos, características únicas, incluo terceiros, ainda que estranhos, etc.
Sou mesmo estranho, porra!
Acredito que haja filmes que fujam à regra e ainda bem; fico mais descansada. Mas admira-me que sejam uma minoria. Por acaso desconheço esse que referes (é por isso que tens a tua piada:-p); aquela pergunta era mais retórica e quiça irónica que outra coisa, mas, pelos vistos, tu tinhas que ser diferente (prefiro este a estranho; assim, sempre cultivas o elemento surpresa que tão bem te define).
Post a Comment