Leio e releio as suas sábias palavras e sinto sempre o mesmo: encantamento. Revelação ou epifania, não sei como descrevê-lo, pois isso é já de si redutor, deturpação e por isso reconstrução, ineficaz, porque as há convincentes ou melhor, melhor dito, pior em todos os casos, convinientes. Não nos deixemos enganar, porém.
Atreve-mo a atravessar os recônditos do labirinto onde Teseu (no meu caso terrenamente/ternamente de cognome M. Será mesmo M.?* Se fores, sabê-lo-emos; a seu tempo.) me espera com um fio azul ou de todas as cores. Não vá o sol lhe ter modificado o tom, devido ao tempo que já lá vai é muito provável. O Minotauro também ainda lá está: à espera que me distraia nos espelhos do meu auto-retrato. Podia ter tido melhor fortuna. Nunca fui dada a essas vaidades. Digo essas e não outras. As outras fazem-se com espelhos e cá de dentro que só a errância, em linha recta ou ao modo de Fernão Mendes Pinto ou até mesmo do de Magalhães, me guia a ver. E dessas tenho brio.
Que verdade essa? Que mentira? De quantas verdades se faz uma mentira (e vice-versa)? Existe uma verdade só ou é ela um somatório de um número variável e infindável de verdades que vão coexistindo e são a sua essência? Uma pluralidade una?
As asas desta vez são fortes. São de determinação e movidas a uma força irredutível, abençoadas não por um arquitecto, mas, mais do que isso, por Bartolomeu. O néctar está nos olhos, sete, ou infinitos, de quem se levanta do chão e de alguém, sim, tu M., que me espera(rá?) numa jangada à beira-mar plantada.
Mistérios da escrita/biografia porque a vida é tudo e mais nada o pode ser. Mais nada existe. O resto é sombra, moldura, ornato, mero apoio acessório que tenta ostentar ser mais do que é. Não nos deixemos enganar, porém.
Sempre para ti. É para ti que escrevo. Sempre. Quando me leres, esquece o que escrevi, porque nesse momento já nada fará sentido. Nem as palavras.


1 comment:
Só tenho uma palavrinha:
AMEI!
Beijo mi mor!(lol)
;)
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